Quando deixamos nossa marca em um texto, eternizamos a nossa alma, e dessa forma eu pude te conhecer. Nos encontramos, eu te encontrei, muitos anos depois do silêncio dos seus sentidos. No entanto, encontrei você viva, com as inquietações mais pulsantes do que nunca. Comecei a beber da sua subjetividade bem depois de vomitar as minhas em linhas tortas. E foi um choque perceber que os desenhos das minhas letras vivas se pareciam os seus. A sua escrita fala pela minha e até o meu estilo de forma inexplicável, se parece com o seu. Mas como isso é possível, se só enxerguei tua força muito tempo depois de engatinhar na seara dos textos catárticos? Como esse encontro aconteceu com tanta afinidade e semelhança? Você é a mestra e eu humildemente ajoelho diante das suas escrituras. E de algum modo, mesmo sem conhecê-la acabo roubando sua obra sem saber que cometo um crime, sem saber sequer que tal obra existe e já possui dono. Assim como você, escrevo com o estômago, as vísceras, o útero. Escrevo com as entranhas os traços do cotidiano e talvez por isso, me identifique e te ame tanto, sem você sequer me conhecer.
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quinta-feira, 23 de agosto de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
desconexo
É sobre a divisa mal explicada entre o presente e o passado, o limiar dos sonhos, fantasias e do possível. Gosto de pensar em mundos paralelos, já que a decodificação do que tá posto é pessoal e perceptiva. Mundos que convivem, que se entrelaçam, que divergem. Um conjunto de palavras soltas, vazias e sem sentido me definem hoje e o que eu contemplo me acalma e me sufoca, agora.
Estive um tempo longe dos cadernos, estava mais perto de mim mesma e dos textos impublicáveis que me compõe. Sempre fui o que quiseram que eu fosse, mas, de algum modo, algo em mim conseguiu fugir das regras impostas, meio que pelo buraco da fechadura, meio por de baixo da porta, há, e eu sei que há, um esconderijo em que a espontaneidade ainda mora.
Um texto matutino e preguiçoso sou eu agora, postergando mais um compromisso, mais uma ordem, mais uma regra, nada espontâneo, nada da ordem do impulso. Criar um futuro improvável me salva do tédio do presente. Não, não é sobre tristeza, apatia e nada disso, é sobre o viver, seus recortes e descosturas. É sobre o afastamento necessário de algo que te impulsiona, apenas para olhar de longe, para amadurecer a ideia, para amortecer a crise.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Simples assim
Hoje eu não vou sair daqui. Hoje eu não vou fazer nada que eu não queira fazer. Não vou me entregar a roda-gigante dos meus iguais, homens sapos. Hoje eu vou passar a manhã inteira agarrada em seu abraço, sentindo o cheiro da sua alma, te amando, te amando devagar e eternamente. Hoje eu vou passar o dia inteiro de pijama, te olhando, me entregando devagar e eternamente.
Quando sentirmos fome, faremos da cozinha o nosso laboratório de alquimia. Misturaremos ingredientes no nosso ritual mágico e depois sentados no chão sentiremos cada sabor percorrendo e arrepiando os nossos sentidos. Olhando um para o outro com a cumplicidade de quem divide um segredo, uma sensação, um amor.
Depois que tomarmos banho, cuidando de cada parte do nosso corpo, acarinhando e agradecendo a matéria que instrumentaliza a nossa existência, nos despediremos com saudade antecipada, com o ardor do sentimento vivo. Você vai embora e eu decidirei arrumar as coisas. O meu cantinho, o meu jeitinho. Quanta coisa acumulada, suja, empoeirada, fora do lugar. Minha mente estava assim, desorganizada, confusa.
Arrumar as coisas dá a falsa sensação de que é possível arrumar a vida. Controlá-la, como este texto, cheio de eventos controlados. Hoje eu só farei aquilo que eu quiser fazer, hoje eu vou passar a manhã agarrada em seu abraço e só. O que tiver de acontecer depois, será espontâneo e verdadeiramente simples.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Ansiedade
''Eu gostaria que fosse diferente", tem sido a frase mais dita nos últimos tempos. A minha ansiedade não é só corporal, é verbal também. Mal da humanidade essa insatisfação contínua, que simula levar a algum lugar e não leva a nenhum. Estou ansiosa agora enquanto escrevo. Estou entediada com o tempo livre para fazer todas as coisas que planejei, mas sem conseguir fazer nada por completo. Vivo para fazer listas de organização, planejamentos, mas não faço nada. Começo um, largo no meio, me entedio fácil. Perco o interesse pelas coisas. Minha mente funciona numa velocidade infinita e permanecer no presente é a tarefa mais díficil. Vivo em busca de algo que não tenho e quando alcanço, mergulho pouco, logo arranjo outra coisa para desejar. Nada tem me completado. Sinto saudades de viver de fato aquilo que eu faço, colhendo seus ganhos e danos, esquecendo o mundo lá fora. Estou tendo uma crise de pânico agora, meu coração está disparado. Quero ir embora daqui. Quero ir embora de tudo. Não fico em nada, não paro em nada. Coisas que me pedem esforço, dedicação, coisas que exigem que eu pense muito, canse muito, me deixam exausta. Largo tudo pelo caminho e não estou conseguindo me encontrar neste olho do furacão. Quero largar esse texto pelo caminho agora por exemplo, estou cansada dele. Estou ficando louca, estou no ritmo do fracasso. Me arrependi de falar tanto que quero tudo, ao mesmo tempo e agora.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Em um mundo monocromático uma aquarela reconhece a outra. Desde que vi os calos nos seus dedos avinhei com que você tanto trabalhava durante a noite. Reconheci nos seus olhos inflamados a angústia chorada e me entendi em você. Nenhum normal pode conhecer e muito menos entender o que se passa entre a gente, afinal tenho guardado em segredo todas as cartas de amor que os seus olhos escrevem para mim. No mundo das vitrines e dos corpos, consigo enxergar seu espirito se debatendo entre as paredes da matéria. Consigo perceber pela velocidade com que você respira, o seu abafamento, a sua prisão. Descobri você no acaso, primeiro os calos, depois os olhos, depois a respiração. Não demorou muito apareceram mais pistas e me perdi neste enamoramento. Eu te enxergo, você também me enxerga. Pluma perdida na fumaça, cinema mudo, pernas que caminham juntas sem se comunicar. Incompreendidos, isso que somos, ou pelo menos éramos. Eu compreendo você. A solidão já não me encontra, pois em algum borrão de tinta de um quadro qualquer, em uma melodia simples ou mesmo erudita, em alguma poesia ou uma história contada por um velho na praça eu estarei respirando você.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Ao meu redor
Esse texto nasce dos meus olhos cansados e da poluição sonora da cidade grande. Buzinas, intolerância e trânsito parado me levaram a mais doce das alienações: meu fone de ouvido e uma música aleatória. Estou cercada de burros seres humanos, caretas e paradoxais. Assistindo um sistema sucumbindo em sua própria desigualdade. São mentiras que nos aprisionam, rupturas necessárias para a liberdade. Liberdade que as pessoas acham que possuem, pura mentira! Sinto-me estranha ultimamente, com uma sensação de esconderijo, de estar fora do padrão. Será que o meu sofrimento não está notável? Porque as pessoas são tão preocupadas com a aparência? Porque elas são tão cruéis com o diferente? Cruzo com pessoas todos os dias, portas que se abrem e fecham, controladas. Muitas se perdem no hábito, muitas morrem na praia. Sonhos moldados, dedos e mais dedos na hora de escolher as palavras. Medo do outro, medo de si mesmo. Meu corpo é forte, minha mente inquieta, meu coração é do tamanho do mundo e a minha insegurança também. Não me sinto segura nessas ruas escuras, meus passos são ágeis e firmes, meus olhos atentos. Ando por caminhos que a minha intuição leva. Não me faça perguntas difíceis, não me coloque na parede, não me obrigue a ser cruelmente sincera. Minha coesão textual é confusa, minha angústia é da minha altura. Talvez o silêncio agora seja o melhor remédio.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Salvador, 11 de fevereiro de 2012.
Definitivamente fui fisgada, tive sorte e encontrei aquilo que parecia impossível: a peça do lego que se encaixa perfeitamente em mim. Simples, como uma melodia de uma nota só. Complexo, como a legião de fatores emaranhados que nos uniu. Você que sou eu; eu que sou você; dois em um único nós. Atesto que já não quero eu sem você, nem você sem mim. Case comigo!? Eu quero ser a mulher que vai te acordar todos os dias te pedindo abraço, pedindo pra você chegar para o canto, pedindo pra você acordar rápido e não se atrasar. Eu quero ser a mulher que vai dormir com a sua camisa preta com estampa de banda de rock e continuar sendo a mais linda do mundo pra você. Quando eu me perco te olhando, o meu desejo é que o tempo passe devagar. É uma tortura a forma como o tempo passa rápido quando o seu beijo arrepia a minha nuca e o seu corpo quente derrete o meu. Queria viver contemplando o seu sorriso, brincando com o seu nariz em formato de pipoca e beijando os seus olhinhos com cores de água de rio. Sabe, eu quero ganhar o mundo ao seu lado, dividindo o peso da minha mochila de 48 litros com você. Quero descobrir os vales mais lindos de mãos dadas, caminhando no seu passo e descobrindo o nosso ritmo. Quero morar com você em uma barraca de camping, acordar com o sol frio e receber o bom dia mais cheio de amor que pode existir. Quero o seu afeto para sempre! Meu amor, eu adoro ser parecida com você, adoro enxergar em você os meus defeitos. Adoro você e tudo que você faz, porque você é o homem mais encantador deste mundo. Adoro ser sua inspiração e seu escape, adoro seu colo, seu porto, adoro ser sua namorada pentelha. Sabe, eu sou completamente apaixonada pelo amor da gente.
Com amor,
C.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A atmosfera atual tem
tons de angústia e tensão. A vida está na corda bamba, a nossa falsa ideia de
segurança está voltada para um espelho em pedaços, quebrado no chão, com as
pontas para cima. Segurança cortante, estamos reféns de nós mesmos. Meu corpo é
matéria do universo e vibra em confluência com a energia do mundo. Estou com a
energia baixa, me sinto mal, descarregada, desestimulada. O mundo tem sido cada
vez mais cruel e isso é apenas advertência na hora do jantar. Mariana, a sua
ideia de mudar o mundo virou utopia imatura. Você que não cresceu com as
árvores, você que permanece in Wonderland, de questionadora fantasia à comércio
cinematográfico. Alice, Sofia, me perdoem, é que eu ando tão cansada para o
conhecimento... O que eu queria mesmo era deitar numa pedra embaixo de uma
cachoeira e ficar lá até o sentido perder o sentido, mente em branco, sem
linguagem. A humanidade me dá apatia, paralisia, tá dando pane no meu sistema.
Eu queria a liberdade que não é humana, que não é simbólica, eu que sou parte
da natureza, não sinto natureza só porque eu sou capaz de pensar e falar sobre
ela. Estou cansada desta hipocrisia, eu quero paz.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Rodo cotidiano
Bloco A, lado D, número 45. Endereço de Zé ninguém, sem registro. Almas escondidas em cada rua ou viela, bibliotecas humanas degraus abaixo do nada. Fantasmas sociais, carcaças vagas e vivas. Penando oportunidades, penando melhores condições. Obras-primas, tias e mães, exploradas e não reconhecidas. Encostadas no museu da previdência social. Sábias anciãs ao lado dos seus medicamentos, objetos de protesto, concretos, nada funciona. Ladeira, jardim da esperança. Errei de bairro, errei de rumo. Lugar estranho pra se ter esperança. Lugar errado. Está tudo errado. Já perdeu algum filho? E isso é pergunta que se faça menina? Sim, perdi sim, perdi pro tráfico, perdi pra guerra, perdi pro álcool, perdi, foi trocado por um salário minimo. Perdi José para as 48h semanais. Domingo é dia de fé e perco mais um pouco junto com o dízimo. Vila dos mortos vivos, dos sobrecarregados, dos brasileiros felizes, da cerveja nos domingos e do prazer culpado. Vila da batalha, das trincheiras e canhões. Balas sonoras, barulho de gritos. Alguém pede socorro? Não! Socorro mora no andar de cima, é que está faltando um pouco de farinha para o bolo terminar.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Individualismo
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Casa abandonada
Tudo está em silêncio. Cadê todo mundo? Não escuto mais barulhos de risadas, nunca mais ouvi vocês fazendo planos mirabolantes. Confesso, vocês me entretinham com essa ingenuidade de acreditar no para sempre. Achava engraçado a forma como vocês se divertiam por qualquer coisa. Acho que sempre senti um pouco de inveja, mas seilá, eu torcia por vocês, várias vezes tomei as dores quando vocês foram injustiçados. Sabe, eu rezei por vocês, apesar de achar tudo aquilo perfeito demais, improvável demais. Mas, o que foi que aconteceu? Vejo um dos armários vazios, quem é que foi embora? Porque foram e me deixaram aqui? Tendo que viver a minha vida sem graça, sem amor e sem tesão. Puta merda! Eu estou chorando agora. Vocês terminaram. Vocês não podiam ter terminado. Não podiam ter jogado toda minha crença no amor verdadeiro fora. Eu amava vocês... Vocês se amavam. Porque virou passado? Voltem! Voltem para mim.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Achei o roteiro do nosso filme na gaveta.
Confesso que passei algum tempo pensando se valia ou não a pena reviver e escrever tudo isso. Mas é incrível como algo anteriormente grande e muito significativo se tornou esquecível e quase inexistente. Sempre foi inadmissível para mim essa coisa de grandes amores virarem bom dia. Como assim alguém que eu amei, que eu compartilhei minha vida, que eu ri junto, que eu entreguei meu corpo aberto, hoje se transforma assim em um desconhecido desses que a gente vira o rosto quando passa na rua?
Não é saudade ou qualquer coisa relacionada a sentimento, é apenas estranheza do que isso se tornou. Acredito que você também não esperava por isso, apesar de que também acho que não é algo que ainda passe pela sua cabeça. Estamos muito bem em nossas vidas, bloqueados e inacessíveis.
Contudo, lendo uns textos antigos, senti uma lacuna temporal, como se todo aquele tempo fosse milagrosamente apagado da memória. A forma como as coisas acabaram contribuiu pra isso, claro, mas arrependida ou não, um dia eu te disse que te amava. Um dia eu era sua com o pé entrelaçado no seu. Como pude esquecer a forma como você sorria quando eu fazia isso?
Eu esqueci você como quem esquece algo trivial e você nunca foi trivial para mim. Meu Deus, como eu gostava de você! Como eu gostava das músicas que você ouvia, do seu sexo, das suas ideias, do seu silêncio. Como seu olhar me envolvia, como você me inspirava a escrever e a querer você.
Hoje eu tomei um susto porque percebi sua insignificância para mim. Não deveria ser assim, a gente sabe disso. Mas é isso, agora eu volto para o meu atual outubro, um ano depois daquela conversa improvável, naquele acontecimento do destino, em um dos dias mais inesquecíveis das nossas vidas.
Sentimental e sem subverter sentimento. Assim como aquela banda nunca mais vai voltar, a gente também não. Nem para ser amigo, nem para ser conhecido. Se hoje eu não recuperasse o que restava da existência disso, nada teria acontecido de fato entre nós dois.
sábado, 6 de agosto de 2011
"Um monte de coisas que sonhei"
Ontem a noite acabou com nós dois andando pela rua vazia, sem direção, sem horário e sem pressa. A lua, a brisa e o silêncio eram as únicas testemunhas daquele nosso presente. Você sorria, eu sentia paz. Estávamos juntos, sim estávamos, e não era necessário nominar. Qualquer palavra soaria vaga e reducionista naquele momento. Eu que só ando solta, me vi de mãos dadas com você. Já não pensava no futuro e muito menos na minha expedição agendada. Não me lembrava da mochila feita, nem do dinheiro guardado. Que me desculpem os meus planos, mas não controlarei este sentimento. Sim, eu digo sim, eu aceito esta liberdade de estar só com você. Velocidade, movimento, intensidade. Tenho improvisado neste palco em que você é o único na plateia. O seu corpo tem cheiro de mar, de pôr-do-sol, e eu já não sinto medo de percorrê-lo. Tenho o mundo aos meus pés, e muita ânsia de viver e de experimentar as coisas, não abro mão disto. Pegue seu violão, vamos comigo? Sou assim, sou intensa. E apesar de tentar controlar isto o tempo inteiro, sei que preciso deixar fluir a espontaneidade que tinha quando criança, vivendo sem racionalizar demais. A verdade é que eu não sei chorar minhas dores, vou soterrando-as, fujo, não me entrego de forma alguma. E acabei endurecendo com o tempo, até demais. Só que agora, resolvi esquecer as lanternas e caixa de remédios em casa. Estou disposta a entrar nesta aventura e deixar o excesso de precaução para trás. Eu já não tenho mais fobia do escuro. O incerto já vem puxando meu tapete há algum tempo. Por isso que não vou medir palavras pra registrar o meu agora. Será que vai durar até amanhã? Só amanhã pra saber. Alguns desfechos são cruéis, mas as flores mais fortes são as que nascem do cimento. Enfim, isto não é mais importante. Recortei aquele momento e pendurei no varal das cores inéditas. Quero relembrá-lo, quero revivê-lo. Só desejo que sejamos, antes de tudo, grandes amigos, e que cuidemos do espirito um do outro. Sem projeções, idealizações e grandes expectativas, vamos crescer, vamos ser, vamos estar. Como estávamos ontem de mãos dadas naquela rua vazia.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Compilação de uma tarde à beira do precipício.
Não é como parece. Os desenhos animados já nos diziam. O mestre dos magos não é o mocinho e o cisne na verdade é uma princesa. Filosofando em numa varanda baixa, cigarros e bebidas, somos três mulheres geniais, incríveis e alucinadas. Contemporâneas de uma época, de uma alucinação. Dentro de uma matrix, de um software, de uma invenção, vamos nos tornamos cada vez mais alienadas de nós mesmas. Estamos completamente imersas na subjetividade atômica que inventamos, chegamos ao nirvana juntas, junto a sensação de plenitude de saber que nada é real. Suicidas em uma varanda baixa com muita vontade de viver, estamos matando as nossas verdades que convivem com a verdade do outro e com a verdade imparcial que se perde no cosmo. Sincronicidade. É o que faz vidas e rotinas anônimas e análogas se cruzaram num momento qualquer em um lugar qualquer. Falamos de sexo, de amor e de loucura, citamos Freud, Einstein e Alice. Gozamos com Clarice, com Pessoa e com a tal Joana que precisa existir pra que Chico seja genial. O que isso significa mesmo? Nada. Não significa nada. Somos vizinhos de gênios, somos vizinhos dos anônimos que podem ou não mudar as nossas vidas. Nesta hora dou um grito, um alívio, diante da descoberta de um segredo ancestral. O que são pontos pretos em um fundo branco? Existe mesmo um fundo com pontos? A verdade é que quanticamente nunca nos tocaremos, e ainda quanticamente somos um átomo que não é sólido. Ou seja, somos códigos enxergáveis apenas para nós mesmos, fluidos, composições do acaso, aglutinações do destino. “O mundo é perfeito’’ nosso sistema de maluco que não é. Inventamos as janelas que são vivas, com nossas almas acesas ou apagadas. Vivemos em cubos, quadrados que não se comunicam. Do conjunto de cubos se formam prédios e quando vejo os prédios com janelas acesas só consigo pensar na vida de cada uma destas pessoas. Suas dores, seus medos, suas perdas e ganhos, seus amores, seus sonhos, sua morte, seus vícios e coleções. Só consigo pensar nas vidas paralelas e em passados e presentes que coexistem. Somos três loucas e pensantes, somos três em sintonia de sentimentos, somos três conjuntos de átomos filosofando numa bolha. Apertando as nossas mentes habituadas, confrontando nossas ideologias e sentimentos. O que fizemos com nossa espécie? Que espécie de formigas operárias nos transformamos para sustentar esta alucinação e esta entidade imaginária que chamamos de sociedade? Será mesmo que os loucos estão nos hospitais psiquiátricos? Ou será que os loucos estão nas universidades, nas empresas e nas varandas baixas filosofando sobre a vida?
terça-feira, 14 de junho de 2011
Exclusivamente pra você.
Este texto tem dono, tem destino, tem razão de ser. Estas palavras são verídicas e suas. Tenho fugido do espelho, pois ele tem exposto a minha hipocrisia. Eu sempre disse que o mundo dá voltas e nos momentos em que mais senti raiva, juro que desejei que alguém um dia fizesse com você o mesmo que você havia feito comigo. Desejei que você sentisse a mesma dor que eu sentia... O que eu não sabia era que quem faria isso com você, seria eu. Fica uma divisão em mim, de uma satisfação por estar vendo você entender agora todas as minhas queixas e ver você entregue, exposto, como eu antigamente. No entanto, dói estar diante da minha incoerência e dos meus atos tão indignos e sacanas. Devo me culpar tanto? Afinal, você merece. Devo me torturar tanto vendo que você tá mal com minha indiferença? Um dia eu te amei muito, um dia você era aquilo que eu mais queria. Um dia você foi o meu porto-seguro, um dos meus sonhos. Um dia... Seilá, você sabe que eu gosto de você, mas que eu perdi todas as certezas que eu tinha. Eu juro que não quero te fazer mal. Não confie em mim. Eu sou mais imatura do que eu pensava. Eu não estou preparada pra isso.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Catarse
O momento é perfeito.
Papel e caneta, caso antigo.
Sabe a hora do dia que eu mais gosto?
A hora do crepúsculo.
Nem tarde, nem noite.
Gosto do marasmo desse horário...
Tons de laranja se ajustando com tons de azul no céu.
Me equilibra.
Onde quer que eu esteja, eu gosto desse tempo.
Pode ser da janela do meu apartamento, vendo as luzes da cidade acenderem progressivamente.
Ou melhor, pode ser da areia da praia, contemplando a imponência com que as ondas do mar cumprem sua rotina.
Gosto desse intervalo de tempo.
É como estar apaixonada.
É como ter vontade de passar um dia inteiro deitada numa cama olhando para alguém.
Ainda não sei o que isso significa...
Mas, esse vento entre a gente e essa sua forma de me olhar, me embebeda.
É, aconteceu.
Preciso dessa tarde no meu corpo.
Não, eu não preciso de você.
Só estou aqui porque eu quero.
É, eu te quero.
Prazos de validade sempre me desafiaram.
Gosto de ir em frente e ver até onde vai o limite do aproveitável...
Meus pensamentos retornaram a janela do meu apartamento.
Agora, o preto da noite vai vencendo o laranja e o azul do crepúsculo.
Sinto meu futuro me cobrando explicações.
Onde eu estive, ou o que eu estive fazendo.
"Já é noite, hora de voltar pra casa".
Não, não quero parar de escrever minha subjetividade,
tou ficando boa nisso...
Tem funcionado assim, como uma catarse.
As palavras simplesmente vêm e vou psicografando minha essência não barrada.
O meu passado é apenas um porto seguro quando o presente ou o futuro me assusta.
É só um chão que eu posso pisar pra ter certeza que eu tenho certeza de alguma coisa.
Só isso é o meu passado.
Meu futuro, esse é feito de sonhos.
O que eu temo de verdade, é o silêncio do meu presente.
É como o mar que me encontra na areia junto ao crepúsculo e me diz tudo sem me dizer nada.
Na verdade, eu estou bêbada...
Bêbada dessa maresia, desse sentimento de amor e paz numa cabana de palha, estou bêbada desse sol se pondo e deste fim de tarde que me cala.
Eu não quero que nada estrague essa completude que eu sinto agora.
Eu quero que todo mundo sinta o que eu estou sentindo.
Papel e caneta, caso antigo.
Sabe a hora do dia que eu mais gosto?
A hora do crepúsculo.
Nem tarde, nem noite.
Gosto do marasmo desse horário...
Tons de laranja se ajustando com tons de azul no céu.
Me equilibra.
Onde quer que eu esteja, eu gosto desse tempo.
Pode ser da janela do meu apartamento, vendo as luzes da cidade acenderem progressivamente.
Ou melhor, pode ser da areia da praia, contemplando a imponência com que as ondas do mar cumprem sua rotina.
Gosto desse intervalo de tempo.
É como estar apaixonada.
É como ter vontade de passar um dia inteiro deitada numa cama olhando para alguém.
Ainda não sei o que isso significa...
Mas, esse vento entre a gente e essa sua forma de me olhar, me embebeda.
É, aconteceu.
Preciso dessa tarde no meu corpo.
Não, eu não preciso de você.
Só estou aqui porque eu quero.
É, eu te quero.
Prazos de validade sempre me desafiaram.
Gosto de ir em frente e ver até onde vai o limite do aproveitável...
Meus pensamentos retornaram a janela do meu apartamento.
Agora, o preto da noite vai vencendo o laranja e o azul do crepúsculo.
Sinto meu futuro me cobrando explicações.
Onde eu estive, ou o que eu estive fazendo.
"Já é noite, hora de voltar pra casa".
Não, não quero parar de escrever minha subjetividade,
tou ficando boa nisso...
Tem funcionado assim, como uma catarse.
As palavras simplesmente vêm e vou psicografando minha essência não barrada.
O meu passado é apenas um porto seguro quando o presente ou o futuro me assusta.
É só um chão que eu posso pisar pra ter certeza que eu tenho certeza de alguma coisa.
Só isso é o meu passado.
Meu futuro, esse é feito de sonhos.
O que eu temo de verdade, é o silêncio do meu presente.
É como o mar que me encontra na areia junto ao crepúsculo e me diz tudo sem me dizer nada.
Na verdade, eu estou bêbada...
Bêbada dessa maresia, desse sentimento de amor e paz numa cabana de palha, estou bêbada desse sol se pondo e deste fim de tarde que me cala.
Eu não quero que nada estrague essa completude que eu sinto agora.
Eu quero que todo mundo sinta o que eu estou sentindo.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Apático
Rio de Janeiro, em janeiro, uma casa vazia e sete cigarros queimados. Ansiedade versus apatia, óculos manchados, não levanto da poltrona, não irei limpá-los. É meio dia, permaneço de pijama, o mesmo da noite que encarei sozinha. Continuo acordada, não lembro a última vez que dormi. Estou assim, inerte, sonâmbula, fumante... No peito uma aceleração sem explicação, estou sufocando de agonia, um carnaval acontece dentro de mim. Por fora, pura inércia, não há mais o que fazer. Não vou pentear os cabelos, nem curtir o verão da cidade maravilhosa. Não vou tirar este pijama, nem parar de fumar. Eu tenho direito de escolher como quero morrer e felizmente a dor me inspira. No entanto, um último recado, daqueles que deixaria na geladeira para quando alguém me encontrasse afogada em um copo de whisky. Um simples bilhete, com os seguintes dizeres: Eu me importo com você.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Sem título.
E tão difícil de ler você. Você consegue ser a pessoa mais carente e mais estúpida no mesmo intervalo de tempo. Finge que não me vê, desliga o telefone, some por vários dias. Mas é só te ignorar e você me sufoca com tanto carinho. Do que você foge quando se aproxima de mim? O que você acha que eu posso te dar? Eu não posso te dar. Sua histeria faltante é quase irresistível. É muito fácil se encantar por você. É muito fácil se apaixonar por esta intensidade que você transmite. Mas que bagunça é você. Tenho minhas dúvidas se teria encarado esse precipício se soubesse antes. Você é louca. Você é completamente louca. Você me faz depender de você, dessa confusão que virou minha vida e dessa inconstância de sentimentos que você me fez sentir. Como eu quero te matar. Como eu quero amar você. Eu só queria estabilidade. Era pedir muito? Você pode ser tudo, menos morna, menos neutra e menos imperceptível. Não tem como não notar você. Não tem como não parar dois minutos e pensar algo sobre você. Você é maluca. Você é louca, mas, sem você, tudo fica normal demais, fica branco, fica previsível. Sem você, o dia começa e termina no mesmo horário. Sem você, a casa permanece arrumada e eu permaneço constante. Que tortura é ser normal depois de ter enlouquecido com e por você. Que tortura esse dia branco, sem uma briga, sem um objeto quebrado, sem uma gargalhada verdadeira, sem um amor bem feito. Você, louca, saiu da minha vida do nada, do mesmo jeito que entrou, e me causou uma neurose obsessiva grave. Agora eu tenho mania de arrumar coisas, pedindo pelo amor de Deus pra que você volte pra desarrumá-las novamente.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Crise de meia psicologia.
Ando sem tempo, ando sem rumo, meu relógio anda no sentido anti-horário. Eu ando ao contrário e não tenho controle algum dos meus sentimentos. O interessante passa a ser chato no mesmo segundo, as tão intensas sensações beiram os seus extremos - dicotômica, sem meio termo. É doce e amargo, bom e ruim, bonito e feio, na mesma velocidade que me faz incapaz de apreender e transformar em sentido. Não tem sentido, não faz sentido.
A única coisa que permanece constante é a já conhecida voz que fala calmamente ao meu ouvido, talvez seja uma psicose se desenvolvendo, uma alucinação auditiva, quem sabe. Eu sei que ela não me oprime, não me persegue, apenas me aceita. Há quem chame de anjo, de espírito, de guia, de Deus. Há quem diga que são meus pensamentos ao tom da minha voz. Eu digo que é tudo isso: Eu, a psicose, a neurose, a intuição e Deus.
Penso nos livros que li, nos filmes que assisti, nas bocas que eu já beijei, nos sorrisos que eu já ofereci, lembro das cartas de amor que eu já escrevi e sei que isto está em algum lugar em mim que eu não consigo encontrar mais. Eu me perco todos os dias nessa infinitude que eu descobri ser e é escuro olhar pra dentro. Eu não enxergo, tropeço em mim mesma e paro de procurar, apenas sento e espero, como uma criança perdida.
Eu sento e espero a luz do sol trazer novamente a minha coerência e o meu autodomínio, esse texto não tem coerência, mas esse texto revela o que eu sou agora, amor e ódio pela mesma coisa e pessoa, lágrimas de aprisionamento de mim mesma, lágrimas por estar solta demais. Eu sou um paradoxo e não sei o que fazer com isso. Talvez não deva fazer nada, apenas sentar e esperar, ou talvez deva jogar esta histeria num divã, pagar por algumas horas pra ver minhas palavras brigando com meus pensamentos. Outra opção seria beber, sentar num bar barato e beber por cada dia da minha vida até dissolver meu sangue em álcool, ou quem sabe implorar na recepção de um hospital por um coma induzido, uns 5 dias de silêncio profundo, afinal, meditar é um exercício muito difícil pra mim. Pensei também, em comprar antidepressivos, calmantes, antipsicóticos e me dopar de remédios por umas duas semanas, mas não sei, prefiro reclamar somente.
Hoje eu sonhei com o mar, Yemanjá me dava caldos incessantes no sonho, como se quisesse me sacudir, me acordar ou brigar comigo por algo. Foram minutos angustiantes, no qual eu respirava desesperada quando chegava na superfície e logo era interrompida pela a fúria das ondas que me derrubavam e me faziam perder novamente o sentido. Muito provavelmente, esse sonho ilustre este texto e reflita o quanto eu não sei lidar com o inesperado, com a falta de sentido e com os caldos que eu recebo. Talvez esse sonho mostre o meu desconforto por estar longe da superfície, do tranquilo e do previsível. Na verdade, eu acho que não precisaria nem sentar, nem me tratar, nem beber, nem me dopar, muito menos ficar em coma pra entender que eu posso conviver com a crise e o paradoxo sem sofrer tanto assim, afinal, só na matemática 2+2 é igual a 4.
A única coisa que permanece constante é a já conhecida voz que fala calmamente ao meu ouvido, talvez seja uma psicose se desenvolvendo, uma alucinação auditiva, quem sabe. Eu sei que ela não me oprime, não me persegue, apenas me aceita. Há quem chame de anjo, de espírito, de guia, de Deus. Há quem diga que são meus pensamentos ao tom da minha voz. Eu digo que é tudo isso: Eu, a psicose, a neurose, a intuição e Deus.
Penso nos livros que li, nos filmes que assisti, nas bocas que eu já beijei, nos sorrisos que eu já ofereci, lembro das cartas de amor que eu já escrevi e sei que isto está em algum lugar em mim que eu não consigo encontrar mais. Eu me perco todos os dias nessa infinitude que eu descobri ser e é escuro olhar pra dentro. Eu não enxergo, tropeço em mim mesma e paro de procurar, apenas sento e espero, como uma criança perdida.
Eu sento e espero a luz do sol trazer novamente a minha coerência e o meu autodomínio, esse texto não tem coerência, mas esse texto revela o que eu sou agora, amor e ódio pela mesma coisa e pessoa, lágrimas de aprisionamento de mim mesma, lágrimas por estar solta demais. Eu sou um paradoxo e não sei o que fazer com isso. Talvez não deva fazer nada, apenas sentar e esperar, ou talvez deva jogar esta histeria num divã, pagar por algumas horas pra ver minhas palavras brigando com meus pensamentos. Outra opção seria beber, sentar num bar barato e beber por cada dia da minha vida até dissolver meu sangue em álcool, ou quem sabe implorar na recepção de um hospital por um coma induzido, uns 5 dias de silêncio profundo, afinal, meditar é um exercício muito difícil pra mim. Pensei também, em comprar antidepressivos, calmantes, antipsicóticos e me dopar de remédios por umas duas semanas, mas não sei, prefiro reclamar somente.
Hoje eu sonhei com o mar, Yemanjá me dava caldos incessantes no sonho, como se quisesse me sacudir, me acordar ou brigar comigo por algo. Foram minutos angustiantes, no qual eu respirava desesperada quando chegava na superfície e logo era interrompida pela a fúria das ondas que me derrubavam e me faziam perder novamente o sentido. Muito provavelmente, esse sonho ilustre este texto e reflita o quanto eu não sei lidar com o inesperado, com a falta de sentido e com os caldos que eu recebo. Talvez esse sonho mostre o meu desconforto por estar longe da superfície, do tranquilo e do previsível. Na verdade, eu acho que não precisaria nem sentar, nem me tratar, nem beber, nem me dopar, muito menos ficar em coma pra entender que eu posso conviver com a crise e o paradoxo sem sofrer tanto assim, afinal, só na matemática 2+2 é igual a 4.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Passando para o passado.
Eu demorei para aceitar que minha intuição, mais uma vez, estava certa. Tenho me despedido de você em cada dia, em cada beijo e em cada momento que sinto que o que era doce tem virado amargo. Tenho me despedido de você, cada vez que escolho silenciar a falar. Tou me despedindo, tou recuando e tou sofrendo com isso. Sinto-me triste, mas não quero ir de contra ao que parece o caminho natural da nossa história. Estamos sucumbindo diante aos meus olhos vermelhos, que tentam desmascarar a falsidade do meu sorriso quando diz que está tudo bem. Não, não está tudo bem. Eu não queria sentir o que eu tou sentindo agora. Eu queria me sentir como antes, leve, sua, bem e só. Sinto falta de você quando estamos juntos. Eu juro que não queria isso, mas não consigo evitar, não consigo não me sentir mais distante, mais atriz, menos eu. Não consigo não sentir que eu estou indo embora. E sei que isso vai passar, o que também me aflige, afinal, vai passar. A gente vai passar, nosso sentimento vai passar e a dor que tanto me machuca agora, também vai passar, e você vai ser mais uma página amarelada e virada, que nesse momento eu só queria que fosse a página atual.
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