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terça-feira, 23 de outubro de 2012

O indizível,
aquilo que se sente sem saber.
Aquilo que embola na garanta,
aperta o estômago,
aquilo que arrepia,
que dói  e chora,
dentro de mim.

Como um feto diante do novo mundo.
Prenderam meu viver
nas grades do verbo.
Nó atado e cego,
que nada alívia
a dor de existir.

Me leva para qualquer lugar,
só quero descansar,
Só quero contemplar teu sol interior,
Sou estrela que morre
e que sente falta do que não viveu.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pouco importa os pensamentos quando estamos correndo, ventilando o corpo.
Queria ter um pulmão gigante para captar todo ar do mundo,
de peito aberto e corpo fechado,
forte.

Não é possível conviver com tantas dores,
tantos nós, tensões e mal-jeitos no corpo e na alma.
Quero suar esses medos
essa ansiedade.

Porque me ensinaram que devo correr contra o tempo?
Porque me disseram que tenho que ser tudo ao mesmo tempo?
Meu corpo não aguenta essa doença,
o louco mundo adulto que espere.

terça-feira, 17 de julho de 2012

nada como um banho,
sentir a água gelada percorrendo as costas
limpando a dor,
anestesiando os medos.

em épocas de baixa-estima,
inseguranças,
nada como um banho
para massagear a vida.

sábado, 14 de julho de 2012

arrepender-se

A razão não comanda a fraqueza,
o verbo do ódio, o vocábulo do desespero.
Quem de nós, reprimidos,
sabe o que é passear entre os extremos sem arder?

Quando a boca fala o que o impulso quer,
verdades, distorções e mentiras se confundem.
Quando a razão sucumbe ao incêndio da mente,
o orgulho dita as regras,
o amor pula o muro
e a sensatez adormece.

O pior é não é o ato, o ímpeto, a chama
ou as palavras malditas em direção as vidraças.
O pior é o depois,
o amanhã, a boca seca,
a ressaca moral,
o arrependimento.

Como depois usar a máscara que a impetuosidade tirou?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Oração

Oh pai, oh mãe terra, me abençoe. Permita que a energia do sol se transforme em fé pelo meu corpo. Que as minhas costas não sustentem mais o peso do hábito. Oh árvore da vida, me ensina a ter raízes profundas para sustentar o meu espirito flutuante, me ensina a respirar a vida que também corre no meu sangue. Sou feita daquilo que compõe o mundo. Sou feita de estrelas, lixo e gente. Sou feita, fui feita. Oh mãe que rege as águas fluídas e fortes, me explica a minha missão nisso tudo, pois meu corpo pede calma, alento. Meu corpo pede expressão.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Transporte público

Em um momento contemplativo, enxergando beleza no escuro, me encantei com o aglomerado de faróis brancos e vermelhos nas pistas. Luz por todos os lados, tapete incandescente de mistério no solo duro da realidade. Algo natalino, uma piada do universo. Como um engarrafamento tão estressante poderia ter tamanha beleza para mim? Também há poesia no trânsito. A fantasia também é possível na cidade grande. 

domingo, 25 de março de 2012

Agora você dorme,
no ar frio que predomina em seu quarto.
E eu estou agora
sem sono,
te olhando.

Te fazendo perguntas irrespondíveis
com uma leve angústia que não sai de dentro de mim.
Você dorme com tanta paz,
eu te invejo por isso.

Será que o seu sentimento por mim também dorme?
Será que está sonhando comigo agora?

Deito para o outro lado,
retorno,
te faço carinho.
Meu corpo está incomodado
com a tranquilidade e profundidade do seu sono.

Eu que tenho andando tanto em busca de mim.
Você que parece se encontrar tão facilmente,
dormindo e sorrindo.

Eu sei que é egoísmo pensar assim,
mas é que eu tenho tanto medo disso se esvair,
como tantos outros que se foram.
Eu tenho tanto medo de você ir embora.

Ô meu garoto,
você que me sorri com esse olhar silencioso.
Você que me acaricia sutilmente,
como se fosse discreto o gostar.

Ô meu amigo,
você que esteve comigo todos estes anos,
e não foi capaz de reparar
o meu coração ansioso
pelos nossos encontros.

Não foi capaz de reparar
que era sobre você
todas as dores que chorava.

Ô minha vida,
neste mundo tão cruel e traiçoeiro
temos direito a uma trégua.
Eu não quero deixar de gostar de você.
É bem melhor do que o mundo real.

Bom dia!
Já é manhã aqui no ocidente,
onde o sol se põe por último.
Antes e depois,
é só uma questão de ponto de partida.

Estou aqui do outro lado do mundo,
outro lado é só uma questão de posição.
No meu sonho não há fronteiras.
Tudo é mundo.
Tudo sou eu,
também.

O pensamento voa leve,
são as asas que o meu corpo não sustenta.
Acho, penso, sei
sinto
tudo e nada
em preto e branco.

O cheiro da distância
em sua camisa de manga longa,
faz frio aqui nesse quarto iluminado.
De todos os lugares possíveis que há neste mundo
O mais impossível, agora, é estar com você.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Bebendo por toda dor humana.
Um brinde à crise e ao caos.
Impotência
ideológica, sexual, impulsiva.
Racionamento da razão,
atrofia,
falência múltipla do visceral.
Falta sangue nesses olhos,
aquele sangue de luta
que um dia orgulhou o mais arrogante,
o mais genial dos homens.
Falta sangue.
Desordem!
Esta cidade terminou de bagunçar minha guarda
e no varal estão fotos e notícias desatualizadas.
Usadas, gastas, feitas e refeitas.
Desejo,
aceito tudo
só não me torture, não me ampute, não me castre.
Preciso arder e inventar
em troca do gozo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Poema de bolso,
manhã hostil.
Porque essa flor me irrita?
Porque não consigo regá-la?
Mulher desequilibrada.
Eu gostaria de entender você.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tão distinto ele era,
como pôde me desejar?
Como pôde querer meu colo e meu corpo,
aquele homem que tanto respeito?
Se ele pedisse eu me despia, tão grande é o respeito que tenho por ele.
Nada a ele negaria.
No entanto, algo se quebrou entre a gente, eu sei.
Quando o vi indefeso diante aos meus encantos e pernas a mostra.
Ele me desejou.
Só que não me sinto suja e eu não sinto nojo.
Eu não sinto nada.
Eu estou completamente fria.


Os beijos nunca tiveram reciprocidade.
Os barcos nunca navegavam na mesma velocidade.
O ritmo não encaixou na letra,
e você fugiu,
para uma nota mais adequada.

Juno

Eis que estou aqui sem controle,
refém da minha própria insegurança.
Irracional, insatisfeita.
Meu corpo inteiro dói, a dor da cólera, a dor do amor não correspondido.
Sufoca os meus pulmões este ciúme.
O choro continua preso, cristalizado, não sai da garganta.
Ansiedade no peito, pensamento não pára.
No meu sangue razão e emoção degladiam-se.
Estou afogada em mim mesma e com vergonha do meu ego ferido.
Orgulhosa, cansada, sua, exposta.
Jogando todas as cartas, arriscando todas as fichas.
Eu preciso de paz!
Eu preciso dormir tranquila.
Na busca incessante por um porto, pela plenitude.
Hoje que eu queria ser uma árvore, hoje eu queria ser alienada de mim mesma.
A ignorância é um presente, já que não tem coisa pior do que ter consciência sobre si e se vê sempre errando.
Mas o que é errar, se eu gozo dessa maneira?
Minha vida sem angústias é no minimo medíocre e eu não nasci pra ser medíocre.
Bem-vindos ao meu divã.


Arrumei as malas, fechei o ciclo. Com lágrimas nos olhos abandonei o seguro do costume e partir em busca do novo, do desconhecido. Deixo a mudança me mudar, deixo a vida me viver. Deixo minha rotina desarrumar. Tenho fé no crescimento. O cômodo e o confortável não foram feitos para o meu espírito inquieto. O meu modo de amar é em movimento.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desse encanto
portanto
desencanto
um tanto
como se fosse tanto
o pouco que és.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Fertilizando o território da mente, continuo acreditando no sentimento, na razão e no meio termo. Termino frases, coloco pontos e eis que fecho o velho ciclo mal resolvido. Resolvido! De agora em diante serei apenas aquilo que sou e farei aquilo que me faz ser. Ser humano, vivo e errante. Tenho que parar com essa mania de querer prever o futuro. Síndrome da cartomante. Não sei, não sei, não vi. As cartas estão postas na mesa e a vida está ai de plano de fundo para bilhões de histórias que nunca se cruzarão, ou não. Só sei que no meu barco quem rema sou eu! Será? Quedas, abismos, precipícios ou pontes que o tempo construiu me levam a driblar o destino com fé na sorte. Movimento e morte: eu. Que sou o que penso ser, que escolho o algoz ao invés da vitima. Sou aquilo que mais detesto em mim, por isso deixo tudo pra trás, enterrando no cemitério dos desfechos o que sobrou dos ciclos fechados.

domingo, 12 de junho de 2011

...

Dimensões e teorias. Ciência, física. Estatísticas psíquicas. Ele gosta de números e eu gosto da camisa preta de manga curta que ele veste. Ele valoriza o método, a análise, os fatores e eu gosto de pensar em poesia quando o vejo. Correlação nula. Ideias opostas, probabilidades ilusórias de sucesso, de um encontro. Destino é acaso, acaso me lembra o tom, que tem dado sonoridade ao meu poema sem rimas e versos, em um espaço aberto onde estou com o coração escancarado, exposto, transbordando questões e gestalts abertas. Aprendo outras línguas, quero aprender o idioma das estrelas. Acordo do sonho, ou não, esta vida que eu levo é irreal e só posso está sonhando dentro de uma caverna paleolítica. O telescópio me mostra o utópico diante do meu nariz. Vontade de tirar uma trova espanhola de um violão sem cordas, vontade de arder criando. E de morrer vivendo.

Glossário dispensável.

Tem sido assim, tem sido eu. Estou no meio da crise, no hiato literário, no não saber o que de fato é meu e o que é do outro. Explicar isso seria inútil e dispensável. Seria como uma legenda, onde significados se perdem com a tradução. Eu me perco quando me traduzo. Quantos elementos a fotografia não capta? Quantos elementos as palavras omitem? Em mim, ocorre uma dança frenética chamada sentir, enlouqueço, por isso penso, na tentativa de assumir o controle. Fracasso! O sentimento só faz sentido se for sentido.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cheguei de mansinho, como quem pede cafuné, carinho.
Ô carência!
Mas era tão raro, essa rotina maluca desacostuma a felicidade gratuita.
Café quentinho,
Meia no pé, frio.
Interior lá longe...
Terra molhada, chuva no telhado.
Cobertor.
Colo de vó, benção de avô.
Amor de familia, doce de leite, cachecol de crochê.
Simples como ir a todos lugares de bicicleta.
Simples como amar sem esperar nada.
Simples como esperar ansiosamente para ler mais um pouco de um livro...
A tecnologia foi proibida de entrar aqui.
Aqui, onde as relações são humanas e reais.
Refúgio do meu gosto,
cavalo, vida, campo, verde.
Águas doces de Oxum e terra dos elementais.
Ô meu mundo perfeito, intocável, paralelo, verdadeiro.
Não quero voltar, não quero voltar para a busca do sucesso,
para a falta de tempo.
Quero ficar aqui, anônima, amada, mimada e inteira.