quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Apático

Rio de Janeiro, em janeiro, uma casa vazia e sete cigarros queimados. Ansiedade versus apatia, óculos manchados, não levanto da poltrona, não irei limpá-los. É meio dia, permaneço de pijama, o mesmo da noite que encarei sozinha. Continuo acordada, não lembro a última vez que dormi. Estou assim, inerte, sonâmbula, fumante... No peito uma aceleração sem explicação, estou sufocando de agonia, um carnaval acontece dentro de mim. Por fora, pura inércia, não há mais o que fazer. Não vou pentear os cabelos, nem curtir o verão da cidade maravilhosa. Não vou tirar este pijama, nem parar de fumar. Eu tenho direito de escolher como quero morrer e felizmente a dor me inspira. No entanto, um último recado, daqueles que deixaria na geladeira para quando alguém me encontrasse afogada em um copo de whisky. Um simples bilhete, com os seguintes dizeres: Eu me importo com você.

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O meu maior dom,
foi o meu maior algoz.
Passei da dose e do limite,
do que pertencia somente a mim.
Deixei sequelas e feri pessoas.
Eu só fui sincera.
Minhas próprias palavras,
me machucaram no fim.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

"É sempre amor mesmo que mude..."

Despediu-se...
Foi demorado, progressivo.
Durou meses, até anos.
Doeu muito, parcelado.
Mas, despediu-se.
E de uma noite para outra foi embora naturalmente,
sem perceber, sem se fazer notar.
Apenas foi embora, como se nunca estivesse estado ali por tanto tempo.
Não foi brusco, ao contrário,
doeu o dobro por não ter sido de uma só vez.
Por vezes alimentei-me de falsas esperanças,
de um amor passível de um cuidado.
Era a nossa fantasia, para amenizar o desamparo.
Éramos o nosso porto seguro,
até o dia que aprendêssemos a andar sozinhos.
E aprendemos, os dois.
E foi assim naturalmente...
Que o amor, o ardente amor da gente,
foi virando, virando e virando amizade.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sem título.

E tão difícil de ler você. Você consegue ser a pessoa mais carente e mais estúpida no mesmo intervalo de tempo. Finge que não me vê, desliga o telefone, some por vários dias. Mas é só te ignorar e você me sufoca com tanto carinho. Do que você foge quando se aproxima de mim? O que você acha que eu posso te dar? Eu não posso te dar. Sua histeria faltante é quase irresistível. É muito fácil se encantar por você. É muito fácil se apaixonar por esta intensidade que você transmite. Mas que bagunça é você. Tenho minhas dúvidas se teria encarado esse precipício se soubesse antes. Você é louca. Você é completamente louca. Você me faz depender de você, dessa confusão que virou minha vida e dessa inconstância de sentimentos que você me fez sentir. Como eu quero te matar. Como eu quero amar você. Eu só queria estabilidade. Era pedir muito? Você pode ser tudo, menos morna, menos neutra e menos imperceptível. Não tem como não notar você. Não tem como não parar dois minutos e pensar algo sobre você. Você é maluca. Você é louca, mas, sem você, tudo fica normal demais, fica branco, fica previsível. Sem você, o dia começa e termina no mesmo horário. Sem você, a casa permanece arrumada e eu permaneço constante. Que tortura é ser normal depois de ter enlouquecido com e por você. Que tortura esse dia branco, sem uma briga, sem um objeto quebrado, sem uma gargalhada verdadeira, sem um amor bem feito. Você, louca, saiu da minha vida do nada, do mesmo jeito que entrou, e me causou uma neurose obsessiva grave. Agora eu tenho mania de arrumar coisas, pedindo pelo amor de Deus pra que você volte pra desarrumá-las novamente.

domingo, 21 de novembro de 2010

Pacto venenoso.

Contemplo-lhe perto do mar, mar de gente, testemunhas desse segredo.
Guardado em silêncio, um pacto, um erro, que a gente selou.
O erro mais certo que já cometi.
Desenho-lhe com a ponta dos dedos, faço do seu rosto minha tela.
Coloco cor nos seus traços e mais brilho em seu sorriso quieto.
Sorriso seu, sorriso do mundo.
Guarde-me, guarde esse segundo.
Não precisamos de diários, guarde em sua retina o reflexo dos seus olhos nos meus.
Fotografias não congelam um momento.
Deixe-me bebê-lo.
Doce veneno que mata aos poucos.
É suicídio querer você.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Poesia do dia

De vestido branco de renda tento desvendar o mistério das flores.
Anjos e fadas me cercam e todos os elementais assistem a beleza do sol rasgando o céu escuro.
Brisa serena de aurora
Cheiro de terra e de vento.
Milagre diário, que passa a 100 km/h da sua janela apressada.
Pressa de não viver, pressa de se sobrecarregar.
Apenas contemple.
Só por um dia.
Contemple as soluções para todos os seus problemas.
Diante dos seus olhos.
Cure-se desta miopia...
Impressione-se com o óbvio.
O extraordinário óbvio.
O relógio zera todos os dias...
Perfeição é a sincronia da natureza,
maré baixa, maré cheia.
A lua em quatro fases pontuais
Seja minguante, por que não?
Mas permita-se ser crescente,
E nova.
Cheia? Só se for de paz.
Equilibre-se
É só você sentir,
é só você ouvir o que seu corpo diz
Sua bomba coração, mais um dia pulsa a favor da sua vida.
Agradeça a ela, agradeça a tudo.
Se você vê, se você ouve.
Se você fala, se você respira, se você toca...
Simplesmente agradeça.
Independente do que você creia
Deus, energia, ciência?
Agradeça.
E viva de fato.
Viva o fato,
Apenas carregue esse fardo,
De ter que viver
Simples e intensamente.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempo

Tempo certo, tempo errado, quem sou eu pra julgar o tempo?
Não tenho tempo pra me preocupar com o tempo, a verdade é essa.
Que ele venha e me envelheça, que ele venha e me sufoque de saudade, que ele venha e enxugue minhas lágrimas. Que ele seja sol, que ele seja chuva, que ele passe devagar ou passe rápido.
Eu quero é dar tempo ao tempo, para que ele crie suas próprias razões e saídas.
Que ele seja amigo, que ele seja carrasco.
Que ele tire de mim o doce da boca, mas que também tire o amargo.
O relógio tá correndo, os dias estão passando e o tempo sempre será o melhor que poderia ser.
Mesmo que doa, mesmo que escorra entre os meus dedos, mesmo que eu não queira.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Crise de meia psicologia.

Ando sem tempo, ando sem rumo, meu relógio anda no sentido anti-horário. Eu ando ao contrário e não tenho controle algum dos meus sentimentos. O interessante passa a ser chato no mesmo segundo, as tão intensas sensações beiram os seus extremos - dicotômica, sem meio termo. É doce e amargo, bom e ruim, bonito e feio, na mesma velocidade que me faz incapaz de apreender e transformar em sentido. Não tem sentido, não faz sentido.

A única coisa que permanece constante é a já conhecida voz que fala calmamente ao meu ouvido, talvez seja uma psicose se desenvolvendo, uma alucinação auditiva, quem sabe. Eu sei que ela não me oprime, não me persegue, apenas me aceita. Há quem chame de anjo, de espírito, de guia, de Deus. Há quem diga que são meus pensamentos ao tom da minha voz. Eu digo que é tudo isso: Eu, a psicose, a neurose, a intuição e Deus.

Penso nos livros que li, nos filmes que assisti, nas bocas que eu já beijei, nos sorrisos que eu já ofereci, lembro das cartas de amor que eu já escrevi e sei que isto está em algum lugar em mim que eu não consigo encontrar mais. Eu me perco todos os dias nessa infinitude que eu descobri ser e é escuro olhar pra dentro. Eu não enxergo, tropeço em mim mesma e paro de procurar, apenas sento e espero, como uma criança perdida.

Eu sento e espero a luz do sol trazer novamente a minha coerência e o meu autodomínio, esse texto não tem coerência, mas esse texto revela o que eu sou agora, amor e ódio pela mesma coisa e pessoa, lágrimas de aprisionamento de mim mesma, lágrimas por estar solta demais. Eu sou um paradoxo e não sei o que fazer com isso. Talvez não deva fazer nada, apenas sentar e esperar, ou talvez deva jogar esta histeria num divã, pagar por algumas horas pra ver minhas palavras brigando com meus pensamentos. Outra opção seria beber, sentar num bar barato e beber por cada dia da minha vida até dissolver meu sangue em álcool, ou quem sabe implorar na recepção de um hospital por um coma induzido, uns 5 dias de silêncio profundo, afinal, meditar é um exercício muito difícil pra mim. Pensei também, em comprar antidepressivos, calmantes, antipsicóticos e me dopar de remédios por umas duas semanas, mas não sei, prefiro reclamar somente.

Hoje eu sonhei com o mar, Yemanjá me dava caldos incessantes no sonho, como se quisesse me sacudir, me acordar ou brigar comigo por algo. Foram minutos angustiantes, no qual eu respirava desesperada quando chegava na superfície e logo era interrompida pela a fúria das ondas que me derrubavam e me faziam perder novamente o sentido. Muito provavelmente, esse sonho ilustre este texto e reflita o quanto eu não sei lidar com o inesperado, com a falta de sentido e com os caldos que eu recebo. Talvez esse sonho mostre o meu desconforto por estar longe da superfície, do tranquilo e do previsível. Na verdade, eu acho que não precisaria nem sentar, nem me tratar, nem beber, nem me dopar, muito menos ficar em coma pra entender que eu posso conviver com a crise e o paradoxo sem sofrer tanto assim, afinal, só na matemática 2+2 é igual a 4.