De vestido branco de renda tento desvendar o mistério das flores.
Anjos e fadas me cercam e todos os elementais assistem a beleza do sol rasgando o céu escuro.
Brisa serena de aurora
Cheiro de terra e de vento.
Milagre diário, que passa a 100 km/h da sua janela apressada.
Pressa de não viver, pressa de se sobrecarregar.
Apenas contemple.
Só por um dia.
Contemple as soluções para todos os seus problemas.
Diante dos seus olhos.
Cure-se desta miopia...
Impressione-se com o óbvio.
O extraordinário óbvio.
O relógio zera todos os dias...
Perfeição é a sincronia da natureza,
maré baixa, maré cheia.
A lua em quatro fases pontuais
Seja minguante, por que não?
Mas permita-se ser crescente,
E nova.
Cheia? Só se for de paz.
Equilibre-se
É só você sentir,
é só você ouvir o que seu corpo diz
Sua bomba coração, mais um dia pulsa a favor da sua vida.
Agradeça a ela, agradeça a tudo.
Se você vê, se você ouve.
Se você fala, se você respira, se você toca...
Simplesmente agradeça.
Independente do que você creia
Deus, energia, ciência?
Agradeça.
E viva de fato.
Viva o fato,
Apenas carregue esse fardo,
De ter que viver
Simples e intensamente.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Tempo
Tempo certo, tempo errado, quem sou eu pra julgar o tempo?
Não tenho tempo pra me preocupar com o tempo, a verdade é essa.
Que ele venha e me envelheça, que ele venha e me sufoque de saudade, que ele venha e enxugue minhas lágrimas. Que ele seja sol, que ele seja chuva, que ele passe devagar ou passe rápido.
Eu quero é dar tempo ao tempo, para que ele crie suas próprias razões e saídas.
Que ele seja amigo, que ele seja carrasco.
Que ele tire de mim o doce da boca, mas que também tire o amargo.
O relógio tá correndo, os dias estão passando e o tempo sempre será o melhor que poderia ser.
Mesmo que doa, mesmo que escorra entre os meus dedos, mesmo que eu não queira.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Crise de meia psicologia.
Ando sem tempo, ando sem rumo, meu relógio anda no sentido anti-horário. Eu ando ao contrário e não tenho controle algum dos meus sentimentos. O interessante passa a ser chato no mesmo segundo, as tão intensas sensações beiram os seus extremos - dicotômica, sem meio termo. É doce e amargo, bom e ruim, bonito e feio, na mesma velocidade que me faz incapaz de apreender e transformar em sentido. Não tem sentido, não faz sentido.
A única coisa que permanece constante é a já conhecida voz que fala calmamente ao meu ouvido, talvez seja uma psicose se desenvolvendo, uma alucinação auditiva, quem sabe. Eu sei que ela não me oprime, não me persegue, apenas me aceita. Há quem chame de anjo, de espírito, de guia, de Deus. Há quem diga que são meus pensamentos ao tom da minha voz. Eu digo que é tudo isso: Eu, a psicose, a neurose, a intuição e Deus.
Penso nos livros que li, nos filmes que assisti, nas bocas que eu já beijei, nos sorrisos que eu já ofereci, lembro das cartas de amor que eu já escrevi e sei que isto está em algum lugar em mim que eu não consigo encontrar mais. Eu me perco todos os dias nessa infinitude que eu descobri ser e é escuro olhar pra dentro. Eu não enxergo, tropeço em mim mesma e paro de procurar, apenas sento e espero, como uma criança perdida.
Eu sento e espero a luz do sol trazer novamente a minha coerência e o meu autodomínio, esse texto não tem coerência, mas esse texto revela o que eu sou agora, amor e ódio pela mesma coisa e pessoa, lágrimas de aprisionamento de mim mesma, lágrimas por estar solta demais. Eu sou um paradoxo e não sei o que fazer com isso. Talvez não deva fazer nada, apenas sentar e esperar, ou talvez deva jogar esta histeria num divã, pagar por algumas horas pra ver minhas palavras brigando com meus pensamentos. Outra opção seria beber, sentar num bar barato e beber por cada dia da minha vida até dissolver meu sangue em álcool, ou quem sabe implorar na recepção de um hospital por um coma induzido, uns 5 dias de silêncio profundo, afinal, meditar é um exercício muito difícil pra mim. Pensei também, em comprar antidepressivos, calmantes, antipsicóticos e me dopar de remédios por umas duas semanas, mas não sei, prefiro reclamar somente.
Hoje eu sonhei com o mar, Yemanjá me dava caldos incessantes no sonho, como se quisesse me sacudir, me acordar ou brigar comigo por algo. Foram minutos angustiantes, no qual eu respirava desesperada quando chegava na superfície e logo era interrompida pela a fúria das ondas que me derrubavam e me faziam perder novamente o sentido. Muito provavelmente, esse sonho ilustre este texto e reflita o quanto eu não sei lidar com o inesperado, com a falta de sentido e com os caldos que eu recebo. Talvez esse sonho mostre o meu desconforto por estar longe da superfície, do tranquilo e do previsível. Na verdade, eu acho que não precisaria nem sentar, nem me tratar, nem beber, nem me dopar, muito menos ficar em coma pra entender que eu posso conviver com a crise e o paradoxo sem sofrer tanto assim, afinal, só na matemática 2+2 é igual a 4.
A única coisa que permanece constante é a já conhecida voz que fala calmamente ao meu ouvido, talvez seja uma psicose se desenvolvendo, uma alucinação auditiva, quem sabe. Eu sei que ela não me oprime, não me persegue, apenas me aceita. Há quem chame de anjo, de espírito, de guia, de Deus. Há quem diga que são meus pensamentos ao tom da minha voz. Eu digo que é tudo isso: Eu, a psicose, a neurose, a intuição e Deus.
Penso nos livros que li, nos filmes que assisti, nas bocas que eu já beijei, nos sorrisos que eu já ofereci, lembro das cartas de amor que eu já escrevi e sei que isto está em algum lugar em mim que eu não consigo encontrar mais. Eu me perco todos os dias nessa infinitude que eu descobri ser e é escuro olhar pra dentro. Eu não enxergo, tropeço em mim mesma e paro de procurar, apenas sento e espero, como uma criança perdida.
Eu sento e espero a luz do sol trazer novamente a minha coerência e o meu autodomínio, esse texto não tem coerência, mas esse texto revela o que eu sou agora, amor e ódio pela mesma coisa e pessoa, lágrimas de aprisionamento de mim mesma, lágrimas por estar solta demais. Eu sou um paradoxo e não sei o que fazer com isso. Talvez não deva fazer nada, apenas sentar e esperar, ou talvez deva jogar esta histeria num divã, pagar por algumas horas pra ver minhas palavras brigando com meus pensamentos. Outra opção seria beber, sentar num bar barato e beber por cada dia da minha vida até dissolver meu sangue em álcool, ou quem sabe implorar na recepção de um hospital por um coma induzido, uns 5 dias de silêncio profundo, afinal, meditar é um exercício muito difícil pra mim. Pensei também, em comprar antidepressivos, calmantes, antipsicóticos e me dopar de remédios por umas duas semanas, mas não sei, prefiro reclamar somente.
Hoje eu sonhei com o mar, Yemanjá me dava caldos incessantes no sonho, como se quisesse me sacudir, me acordar ou brigar comigo por algo. Foram minutos angustiantes, no qual eu respirava desesperada quando chegava na superfície e logo era interrompida pela a fúria das ondas que me derrubavam e me faziam perder novamente o sentido. Muito provavelmente, esse sonho ilustre este texto e reflita o quanto eu não sei lidar com o inesperado, com a falta de sentido e com os caldos que eu recebo. Talvez esse sonho mostre o meu desconforto por estar longe da superfície, do tranquilo e do previsível. Na verdade, eu acho que não precisaria nem sentar, nem me tratar, nem beber, nem me dopar, muito menos ficar em coma pra entender que eu posso conviver com a crise e o paradoxo sem sofrer tanto assim, afinal, só na matemática 2+2 é igual a 4.
sábado, 23 de outubro de 2010
"Eu quero é mais brincar, melhor é ser criança"
Hoje, a criança que mora em mim resolveu se rebelar. Chega de adultecer! A criança que mora em mim, apareceu quando eu me olhei no espelho. Ela olhou pra mim e eu poderia escutar a gargalhada dos seus olhos. Gargalhada gostosa, daquelas típicas de cócegas. O seu olhar despertou em mim todos os sentimentos possíveis, cai no chão, perdi a compostura e não me reprimi por isso. Ela continuava me olhando ternamente, sorria e me oferecia sua mão macia, pequena e limpa. Brincamos de roda, corremos e nos escondemos uma da outra, gargalhamos muito e por fim, acabamos deitadas no chão, suadas, ofegantes e leves de tanto brincar. Não lembrava do quanto era bom quando ela me visitava, afinal há muito tempo isso não acontecia. Ela era capaz de enxergar o céu nas rachaduras das paredes, fazia das latas de margarina navios e via castelos em caixas de sapatos. Ela criava, ria, brincava. Não estava muito preocupada com a maldade do mundo, nem com a instabilidade econômica, não tinha a menor idéia do que eram as drogas, a violência e as guerras. Ela não estava no passado, muito menos no futuro. Ela vivia o aqui e agora, agora e aqui.
Hoje ela veio me visitar, hoje ela veio cantar e ri pra mim com seus dentes de leite. Ela me entregou uma rosa branca e pediu que eu lembrasse dela toda vez que a olhasse, eu lembro, eu lembrei. Não quero voltar a ser ela, mas quero e preciso que ela esteja sempre comigo. Brincando, relaxando, acreditando com toda alegria, roubando de mim a expressão ranzinza, o mal-humor, oferecendo-me amor incondicional, sem interesses ou contratos, apenas amor. Hoje, eu quero ficar com ela, deitada no chão, rindo e fazendo caretas, hoje eu quero imaginar como seria morar na lua, hoje eu não quero pensar no futuro, hoje eu quero cantar Xuxa, Sandy Júnior e músicas de ninar.
Hoje eu tenho oito anos.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Passando para o passado.
Eu demorei para aceitar que minha intuição, mais uma vez, estava certa. Tenho me despedido de você em cada dia, em cada beijo e em cada momento que sinto que o que era doce tem virado amargo. Tenho me despedido de você, cada vez que escolho silenciar a falar. Tou me despedindo, tou recuando e tou sofrendo com isso. Sinto-me triste, mas não quero ir de contra ao que parece o caminho natural da nossa história. Estamos sucumbindo diante aos meus olhos vermelhos, que tentam desmascarar a falsidade do meu sorriso quando diz que está tudo bem. Não, não está tudo bem. Eu não queria sentir o que eu tou sentindo agora. Eu queria me sentir como antes, leve, sua, bem e só. Sinto falta de você quando estamos juntos. Eu juro que não queria isso, mas não consigo evitar, não consigo não me sentir mais distante, mais atriz, menos eu. Não consigo não sentir que eu estou indo embora. E sei que isso vai passar, o que também me aflige, afinal, vai passar. A gente vai passar, nosso sentimento vai passar e a dor que tanto me machuca agora, também vai passar, e você vai ser mais uma página amarelada e virada, que nesse momento eu só queria que fosse a página atual.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Eu e ele
Segurou minha mão quando eu acordei, suplicou que eu não fosse trabalhar aquela manhã. Pediu que eu ficasse com ele só um dia, só um dia. Que provasse o meu amor.
Como era capaz de me pedir provas de amor se tudo que eu fazia era por ele? Se por ele eu vivia e morria? Ele sabia como me desarmar, era só diminuir os olhos, falar baixinho e se encaixar no meu peito. Pediu que eu não fosse, não queria ficar sozinho, queria o meu colo. Olhei aqueles olhos carentes, iguais aos meus, aqueles traços que vieram de mim e vi quão ausente eu era. Justificava dizendo que era por ele, mas ele era o menos beneficiado. Foi então que resolvi atender o seu pedido, desmarquei as consultas e fiquei. Ora no sofá vendo desenho, ora na minha cama conversando sobre astronautas e estrelas cadentes, ora lendo ou preparando sua comida favorita. Até ele adormecer sobre mim. Um filhote saciado de amor materno. Era eu e ele de novo completos.
Eu senti paz aquela manhã, a felicidade que eu senti vendo aquele ser tão pequeno respirar sobre mim me deixou renovada. Eu podia ser o que for, médica, mulher, mas naquele momento, eu era mãe.
Apenas mãe e amava aquela criatura com não amava mais nada no mundo.
Saudade
Hoje me peguei sentindo saudades, nada que me deixasse triste, não, muito pelo contrário, foram alguns minutos que me fizeram viajar longe, pra perto de você. Lembrei de pequenas coisas, aquelas pequenas coisas, tão nossas, que ficaram na minha rotina depois que nosso amor, não quero dizer que acabou, adormeceu. Coisas simples, como o jeito com o qual você segurava a xícara de café quente, ou seu jeito desajeitado de cozinhar, batendo panelas, derrubando tudo. As inúmeras vezes em que você me pediu opinião sobre o que vestir e como você ficava lindo quando usava aquela pólo azul, azul como seus olhos, que pareciam mar de maré baixa, sereno, tranqüilo. Será que tem outro alguém hoje te ajudando a se vestir? Será que tem outro alguém hoje cuidando de você? Saudade com gosto de domingo de tarde, com cheiro de tempo chuvoso, apenas saudade. Seu número que eu sabia de cor, já não está mais nas últimas chamadas. Até as coisas, antes impregnadas com o seu perfume, parecem ter perdido o cheiro, que se espalhou com o vento, enfraquecendo e indo embora com o tempo. Eu não mudei, continuo deixando cabelo na escova, pasta de dente sem tampa e bebendo café com cinco colheres de açúcar. O engraçado é que quando faço essas coisas, que tanto te irritavam, ainda me sinto repreendida, como se fosse receber uma bronca ou algo assim. Depois dou risada sozinha, afinal, agora eu estou sozinha, sem ninguém pra brigar comigo pelo açúcar, nem pelos outros maus hábitos. Sabe, eu até conheci um cara nesse meio tempo, mas ele era perfeito demais pra dar certo comigo, ele era bom em tudo o tempo inteiro, e nossa isso era uma chatice! Não conseguia imaginá-lo fazendo campeonato de cuspe comigo, como você, nem disputando pra ver quem falava mais palavrão. Tenho quase certeza que ele nunca encheria a cara comigo nem me ensinaria a jogar futebol. A diferença é que todo mundo apoiava esse meu novo caso, acho que querem me casar logo, você sabe como meus pais são e ele um rapaz inteligente, de família, bonito, agradável conseguiu conquistá-los, coisa que você não conseguiu em quatro anos. Enfim, não deu certo, sou intempestiva, impulsiva e inconstante demais, você sabe, e romance morno me nauseia tanto que estraguei tudo. Mas, nada disso importa agora, não nesse texto, a verdade é que eu só senti saudades. Uma saudável saudade pra me lembrar que já fui uma das mulheres mais felizes do mundo e que ainda sou por ter vivido e por poder continuar vivendo aquilo nem que seja numa lembrança vaga de um domingo chuvoso.
domingo, 3 de outubro de 2010
Amor, democrático Amor...
Uma pequena homenagem a meu amigo calouro fã, que fez comigo esse pequeno e fofo texto numa brincadeira emiessiênica.
...
Pareciam perfeitos um pro outro, enfim, mas ela era Serra e ele era PT. E esse foi o começo do fim. O grande dia havia chegado e no momento da apuração dos votos, à medida que os valores apontavam para uma vitória, que não era mais de partido, e sim dele, o amor deles dois ia se perdendo, a cada ponto computado, a cada segundo pra o decreto, para o fim da eleição.
Ele, por alguns segundos em que o coração falou mais forte, pensou em rever sua posição tão radical. Afinal de contas, eleições são a cada 4 anos, mas um amor como aquele, raramente, uma vez na vida... Ela, ao contrário, não pensava, afinal , era ela que estava perdendo as eleições e não ele. Tudo bem, as eleições eram de 4 em 4 anos, mas não conseguiria suportar 4 anos dormindo com o PT, isso feria todos os seus princípios, ainda mais um PT vitorioso, isso não, isso não!
Insistentemente, ele tentou convencê-la de que qualquer disputa, a não ser para estarem juntos, era pequena diante daquele sentimento tão grande e belo. Também argumentou que aquele orgulho tolo limitava demais, a causava problemas por impedí-la de viver intensamente novos momentos, com novos e mais felizes modos de pensar. E ainda deu-lhe flores.
Ouvindo aqueles apelos, ela foi deixando o sentimento invadir aos poucos e quebrar seu radicalismo. É! Até que privatizar empresas estatais não era tão legal assim, e também, o bolsa familia já ajudou muita gente, não podia negar. E assim, disfarçando que estava amolecendo, resolveu ficar do lado do petista mais maravilhoso que conhecia, porque o amor, ah o amor! Esse sim tem o direito de ser apolítico.
Ele, por alguns segundos em que o coração falou mais forte, pensou em rever sua posição tão radical. Afinal de contas, eleições são a cada 4 anos, mas um amor como aquele, raramente, uma vez na vida... Ela, ao contrário, não pensava, afinal , era ela que estava perdendo as eleições e não ele. Tudo bem, as eleições eram de 4 em 4 anos, mas não conseguiria suportar 4 anos dormindo com o PT, isso feria todos os seus princípios, ainda mais um PT vitorioso, isso não, isso não!
Insistentemente, ele tentou convencê-la de que qualquer disputa, a não ser para estarem juntos, era pequena diante daquele sentimento tão grande e belo. Também argumentou que aquele orgulho tolo limitava demais, a causava problemas por impedí-la de viver intensamente novos momentos, com novos e mais felizes modos de pensar. E ainda deu-lhe flores.
Ouvindo aqueles apelos, ela foi deixando o sentimento invadir aos poucos e quebrar seu radicalismo. É! Até que privatizar empresas estatais não era tão legal assim, e também, o bolsa familia já ajudou muita gente, não podia negar. E assim, disfarçando que estava amolecendo, resolveu ficar do lado do petista mais maravilhoso que conhecia, porque o amor, ah o amor! Esse sim tem o direito de ser apolítico.
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Camilla Veras e Lucas Gondim
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