quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Bebendo por toda dor humana.
Um brinde à crise e ao caos.
Impotência
ideológica, sexual, impulsiva.
Racionamento da razão,
atrofia,
falência múltipla do visceral.
Falta sangue nesses olhos,
aquele sangue de luta
que um dia orgulhou o mais arrogante,
o mais genial dos homens.
Falta sangue.
Desordem!
Esta cidade terminou de bagunçar minha guarda
e no varal estão fotos e notícias desatualizadas.
Usadas, gastas, feitas e refeitas.
Desejo,
aceito tudo
só não me torture, não me ampute, não me castre.
Preciso arder e inventar
em troca do gozo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Poema de bolso,
manhã hostil.
Porque essa flor me irrita?
Porque não consigo regá-la?
Mulher desequilibrada.
Eu gostaria de entender você.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tão distinto ele era,
como pôde me desejar?
Como pôde querer meu colo e meu corpo,
aquele homem que tanto respeito?
Se ele pedisse eu me despia, tão grande é o respeito que tenho por ele.
Nada a ele negaria.
No entanto, algo se quebrou entre a gente, eu sei.
Quando o vi indefeso diante aos meus encantos e pernas a mostra.
Ele me desejou.
Só que não me sinto suja e eu não sinto nojo.
Eu não sinto nada.
Eu estou completamente fria.


Os beijos nunca tiveram reciprocidade.
Os barcos nunca navegavam na mesma velocidade.
O ritmo não encaixou na letra,
e você fugiu,
para uma nota mais adequada.

Juno

Eis que estou aqui sem controle,
refém da minha própria insegurança.
Irracional, insatisfeita.
Meu corpo inteiro dói, a dor da cólera, a dor do amor não correspondido.
Sufoca os meus pulmões este ciúme.
O choro continua preso, cristalizado, não sai da garganta.
Ansiedade no peito, pensamento não pára.
No meu sangue razão e emoção degladiam-se.
Estou afogada em mim mesma e com vergonha do meu ego ferido.
Orgulhosa, cansada, sua, exposta.
Jogando todas as cartas, arriscando todas as fichas.
Eu preciso de paz!
Eu preciso dormir tranquila.
Na busca incessante por um porto, pela plenitude.
Hoje que eu queria ser uma árvore, hoje eu queria ser alienada de mim mesma.
A ignorância é um presente, já que não tem coisa pior do que ter consciência sobre si e se vê sempre errando.
Mas o que é errar, se eu gozo dessa maneira?
Minha vida sem angústias é no minimo medíocre e eu não nasci pra ser medíocre.
Bem-vindos ao meu divã.


Arrumei as malas, fechei o ciclo. Com lágrimas nos olhos abandonei o seguro do costume e partir em busca do novo, do desconhecido. Deixo a mudança me mudar, deixo a vida me viver. Deixo minha rotina desarrumar. Tenho fé no crescimento. O cômodo e o confortável não foram feitos para o meu espírito inquieto. O meu modo de amar é em movimento.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Desse encanto
portanto
desencanto
um tanto
como se fosse tanto
o pouco que és.

sábado, 6 de agosto de 2011

"Um monte de coisas que sonhei"

Ontem a noite acabou com nós dois andando pela rua vazia, sem direção, sem horário e sem pressa. A lua, a brisa e o silêncio eram as únicas testemunhas daquele nosso presente. Você sorria, eu sentia paz. Estávamos juntos, sim estávamos, e não era necessário nominar. Qualquer palavra soaria vaga e reducionista naquele momento. Eu que só ando solta, me vi de mãos dadas com você. Já não pensava no futuro e muito menos na minha expedição agendada. Não me lembrava da mochila feita, nem do dinheiro guardado. Que me desculpem os meus planos, mas não controlarei este sentimento. Sim, eu digo sim, eu aceito esta liberdade de estar só com você. Velocidade, movimento, intensidade. Tenho improvisado neste palco em que você é o único na plateia. O seu corpo tem cheiro de mar, de pôr-do-sol, e eu já não sinto medo de percorrê-lo. Tenho o mundo aos meus pés, e muita ânsia de viver e de experimentar as coisas, não abro mão disto. Pegue seu violão, vamos comigo? Sou assim, sou intensa. E apesar de tentar controlar isto o tempo inteiro, sei que preciso deixar fluir a espontaneidade que tinha quando criança, vivendo sem racionalizar demais. A verdade é que eu não sei chorar minhas dores, vou soterrando-as, fujo, não me entrego de forma alguma. E acabei endurecendo com o tempo, até demais. Só que agora, resolvi esquecer as lanternas e caixa de remédios em casa. Estou disposta a entrar nesta aventura e deixar o excesso de precaução para trás. Eu já não tenho mais fobia do escuro. O incerto já vem puxando meu tapete há algum tempo. Por isso que não vou medir palavras pra registrar o meu agora. Será que vai durar até amanhã? Só amanhã pra saber. Alguns desfechos são cruéis, mas as flores mais fortes são as que nascem do cimento. Enfim, isto não é mais importante. Recortei aquele momento e pendurei no varal das cores inéditas. Quero relembrá-lo, quero revivê-lo. Só desejo que sejamos, antes de tudo, grandes amigos, e que cuidemos do espirito um do outro. Sem projeções, idealizações e grandes expectativas, vamos crescer, vamos ser, vamos estar. Como estávamos ontem de mãos dadas naquela rua vazia.