terça-feira, 15 de novembro de 2011
Individualismo
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Sem o felizes para sempre
Depois de meses fugindo da minha solidão imposta, tomando remédios e malhando compulsivamente para não pensar sobre essas mudanças bruscas que vez em quando nos tira o sono, eis que sofro um pequeno acidente e ganho 30 dias de repouso. Para qualquer ser humano dentro na curva normal, 30 dias de atestado seria como uma dádiva divina. Só que para mim não. Eu sabia que eu se eu parasse em casa um dia eu iria envenenar minha água, cortar minha garganta ou me jogar da janela. Eu definitivamente não suportaria a minha companhia.
Recém separada e completamente louca, essa era eu. Com uma dor de cotovelo maior que o mundo por ter sido traída e trocada. Sem conseguir ficar em silêncio e dormindo há dias completamente dopada de tarjas pretas. Com certeza, eu virei o assunto do salão de beleza nos últimos tempos.
O que me salvou é que eu sempre fui muito irônica com tudo, sempre tirei sarro das minhas desgraças. Eu sabia que estava na pior, no game over, no fundo do poço. E sabia que compulsoriamente tinha sido forçada a viver essa fase, sentir cada dor, ver cada ferida cicatrizando, beliscando e rindo da minha cara. Fui forçada a passar pelas fases do luto quando eu só queria dormir e acordar.
O que me salvou é que eu sempre fui muito irônica com tudo, sempre tirei sarro das minhas desgraças. Eu sabia que estava na pior, no game over, no fundo do poço. E sabia que compulsoriamente tinha sido forçada a viver essa fase, sentir cada dor, ver cada ferida cicatrizando, beliscando e rindo da minha cara. Fui forçada a passar pelas fases do luto quando eu só queria dormir e acordar.
Depois daquela fase mais de depressão, de pijama, sem tomar banho há dias, no sofá da sala sujo de pipoca e pão, entrei na fase da "volta por cima". Engraçado que mulher sozinha e deprimida resolve acreditar em tudo, se apega a qualquer promessa de um futuro melhor. Eu me entupi de livros de auto-ajuda, fiz listinhas do que queria melhorar, simpatias, espalhei incensos e flores pela casa. Comprei livros sobre astrologia, mapa astral, tarô, posição da lua, do mar, poder das ervas, dos cristas, do ar, do céu, da água, do fogo. De tudo. Pintei o cabelo - de praxe - e comprei umas roupas muito caras e maravilhosas.
Não vou dizer que isso não me ajudou. Mesmo sabendo que eu fazia tudo aquilo para não encarar meus problemas, não posso dizer que essas coisas malucas não me divertiram. Era melhor ler Augusto Cury do que desejar que um carro atropelasse a cabeça do meu ex-marido. Politica de redução de danos. Eu me intoxicava de futilidades para me desintoxicar de pensamentos ruins. Não que eu considere todas essas coisas acima como futilidades, mas nunca foi muito a minha praia.
Já que eu estava de férias, resolvi viajar. Acho que foi a coisa mais interessante que eu fiz da minha vida nos últimos tempos. Aceitei o convite de uma amiga que não via há tempos e fomos para uma cidadezinha que eu nem lembro o nome. Nos primeiros dias eu odiava tudo: o tempo de viagem, a estrada de terra, o calor, o sol, os mosquitos, a quantidade de mato, o silêncio do lugar e as outras 10 pessoas que dividiram os dias comigo naquela chácara. Porém, os dias foram passando, assisti os pores do sol mais lindos da minha vida, conheci pessoas super espirituosas que me deram cuidado, atenção e amizade. Aprendi a meditar, a escutar uma música com a alma, a cozinhar como quem faz magia. E à medida que os dias foram passando fui percebendo mudanças em mim. Eu estava realmente em paz.
Acho que passei uns 10 dias nesta vila e doeu o coração voltar pra o mundo real. Meu atestado estava acabando, eu tinha que me conformar. De certa forma, voltar ao trabalho não era tão ruim assim, eu adorava o que eu fazia e essa parada obrigatória me encheu de tesão, de ideias para voltar de verdade para ele. Foi importante pra mim. Foi inesperado, não busquei e acabei encontrando.
Enfim, talvez essa seja a melhor forma de auto-ajuda. A ajuda que verdadeiramente parte de si e dos outros, mas sem fórmulas e receitas. Dentro do tempo de cada um, dentro do limite de cada um. Esse livro que vende felicidades nunca vai falar sobre mim. Só eu sei falar sobre mim. Como sou irônica, conto esta história hoje como se tivesse sido 100% superada. Mentira pura. Mas seilá, talvez ninguém precise superar tudo o tempo todo. Eu posso conviver com meus dramas, em silêncio ou sem silêncio, de pijama no sofá deprimida ou me divertindo. Acho que isso que importa, aprender a conviver com a contradição. Com as perdas e com os ganhos. Sem o felizes para sempre.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Casa abandonada
Tudo está em silêncio. Cadê todo mundo? Não escuto mais barulhos de risadas, nunca mais ouvi vocês fazendo planos mirabolantes. Confesso, vocês me entretinham com essa ingenuidade de acreditar no para sempre. Achava engraçado a forma como vocês se divertiam por qualquer coisa. Acho que sempre senti um pouco de inveja, mas seilá, eu torcia por vocês, várias vezes tomei as dores quando vocês foram injustiçados. Sabe, eu rezei por vocês, apesar de achar tudo aquilo perfeito demais, improvável demais. Mas, o que foi que aconteceu? Vejo um dos armários vazios, quem é que foi embora? Porque foram e me deixaram aqui? Tendo que viver a minha vida sem graça, sem amor e sem tesão. Puta merda! Eu estou chorando agora. Vocês terminaram. Vocês não podiam ter terminado. Não podiam ter jogado toda minha crença no amor verdadeiro fora. Eu amava vocês... Vocês se amavam. Porque virou passado? Voltem! Voltem para mim.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Achei o roteiro do nosso filme na gaveta.
Confesso que passei algum tempo pensando se valia ou não a pena reviver e escrever tudo isso. Mas é incrível como algo anteriormente grande e muito significativo se tornou esquecível e quase inexistente. Sempre foi inadmissível para mim essa coisa de grandes amores virarem bom dia. Como assim alguém que eu amei, que eu compartilhei minha vida, que eu ri junto, que eu entreguei meu corpo aberto, hoje se transforma assim em um desconhecido desses que a gente vira o rosto quando passa na rua?
Não é saudade ou qualquer coisa relacionada a sentimento, é apenas estranheza do que isso se tornou. Acredito que você também não esperava por isso, apesar de que também acho que não é algo que ainda passe pela sua cabeça. Estamos muito bem em nossas vidas, bloqueados e inacessíveis.
Contudo, lendo uns textos antigos, senti uma lacuna temporal, como se todo aquele tempo fosse milagrosamente apagado da memória. A forma como as coisas acabaram contribuiu pra isso, claro, mas arrependida ou não, um dia eu te disse que te amava. Um dia eu era sua com o pé entrelaçado no seu. Como pude esquecer a forma como você sorria quando eu fazia isso?
Eu esqueci você como quem esquece algo trivial e você nunca foi trivial para mim. Meu Deus, como eu gostava de você! Como eu gostava das músicas que você ouvia, do seu sexo, das suas ideias, do seu silêncio. Como seu olhar me envolvia, como você me inspirava a escrever e a querer você.
Hoje eu tomei um susto porque percebi sua insignificância para mim. Não deveria ser assim, a gente sabe disso. Mas é isso, agora eu volto para o meu atual outubro, um ano depois daquela conversa improvável, naquele acontecimento do destino, em um dos dias mais inesquecíveis das nossas vidas.
Sentimental e sem subverter sentimento. Assim como aquela banda nunca mais vai voltar, a gente também não. Nem para ser amigo, nem para ser conhecido. Se hoje eu não recuperasse o que restava da existência disso, nada teria acontecido de fato entre nós dois.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Bebendo por toda dor humana.
Um brinde à crise e ao caos.
Impotência
ideológica, sexual, impulsiva.
Racionamento da razão,
atrofia,
falência múltipla do visceral.
Falta sangue nesses olhos,
aquele sangue de luta
que um dia orgulhou o mais arrogante,
o mais genial dos homens.
Falta sangue.
Desordem!
Esta cidade terminou de bagunçar minha guarda
e no varal estão fotos e notícias desatualizadas.
Usadas, gastas, feitas e refeitas.
Desejo,
aceito tudo
só não me torture, não me ampute, não me castre.
Preciso arder e inventar
em troca do gozo.
sábado, 1 de outubro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Tão distinto ele era,
como pôde me desejar?
Como pôde querer meu colo e meu corpo,
aquele homem que tanto respeito?
Se ele pedisse eu me despia, tão grande é o respeito que tenho por ele.
Nada a ele negaria.
No entanto, algo se quebrou entre a gente, eu sei.
Quando o vi indefeso diante aos meus encantos e pernas a mostra.
Ele me desejou.
Só que não me sinto suja e eu não sinto nojo.
Eu não sinto nada.
Eu estou completamente fria.
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